E viva o mundo da fantasia!

Freud (nos) acolhendo sem querer…

Por via de regra, a neurose se contenta em evitar a porção da realidade em questão e proteger-se do encontro com ela. A diferença aguda entre neurose e psicose, no entanto, é diminuída pelo fato de também na neurose haver tentativas de substituir a realidade indesejada por outra mais conforme aos desejos. Isto é possibilitado pela existência de um mundo de fantasia.

A perda da realidade na neurose e na psicose, Freud, 1924.

Palavras de Lacan

O analista de fato não poderia se aprofundar na sua formação como analista a não ser que reconhecesse no seu saber o sintoma de sua ignorância. Mas esta não deve ser compreendida aqui como ausência de saber, mas como o amor e o ódio, como uma paixão do ser, como eles, uma via na qual o ser se forma.

“Variantes de la cura tipo”, em Escritos.

Como se aprende o que é necessário para exercer a Psicanálise? 

Segundo Freud, no texto de 1926, A questão da análise leiga, os interessados precisam se submeter a análise, receber instrução teórica e desfrutar de supervisão com analistas experientes. Calcula-se aproximadamente dois anos para ser iniciante nessa formação. 

O que ainda falta precisa ser adquirido na prática e pela troca de idéias nas sociedades psicanalíticas, em que membros mais jovens se encontram com aqueles mais velhos. A preparação para a atividade analítica não é simples e fácil, o trabalho é duro e a responsabilidade é grande.

A questão da análise leiga – o benefício da doença 

Na vida civil, a doença pode ser utilizada como proteção para esconder as deficiências da pessoa no trabalho e na competição com outras; na família, como um meio de impor a própria vontade às outras e fazê-las sacrificar-se a dar provas de amor.

(…) Digno de nota é que o doente, seu Eu, nada sabe da vinculação entre esses motivos e suas ações consequentes. 

Ou seja, é inconsciente. 

A função mais elevada do Ego

No post anterior expressei sobre dúvidas do percurso. Aí estou lendo e me deparo com um “recadinho” do Freud sobre a função mais elevada do Ego:

Decisões quanto a

☆ Quando é mais conveniente controlar as paixões e curvar-se diante da realidade;

♡ Quando é mais apropriado ficar ao lado delas e lutar contra o mundo externo.

Tais decisões compõem toda a essência da sabedoria mundial.

A questão da análise leiga (1926) 

Freud

A formação em psicanálise e o encontro com o real…

E hoje algo me angustiou. Mergulhada em textos psicanalíticos, que precisam de tempo para elaboração, uma questão me pegou: será que a formação é mesmo o meu caminho? Será que é isso que eu quero? Meu estômago enjôa só com a dúvida. 

As vezes parece óbvio e simples, as vezes parece muito complicado. Sinto-me capaz e incapaz ao mesmo tempo. A dúvida pesa, aperta, angustia. Mas algo mais forte me leva a continuar, a acreditar, assim como a Antígona, da mitologia.

Quem disse que o caminho escolhido é sempre o da certeza? Quem nunca duvidou ou se questionou das próprias escolhas, talvez tenha as feito sem pensar. Pensar é se abrir para as possibilidades, inclusive de mudar de opção. 

Tentarei trabalhar minhas dúvidas e continuar no caminho, até o momento em que as borboletas que sinto baterem no meu peito quando estudo psicanálise, parem. Aí sim, não valerá mais à pena.

Viva às borboletas, que batem asas e dão um caminho a trilhar, mesmo que este seja imprevisível.